terça-feira, março 27, 2007
Imigração e baratos afins...
Imigrar não é tão divertido quanto alguns possam imaginar. É claro que existem certas compensações de sair de um país como o Brasil e vir morar no Canadá – mais segurança, melhor nível de vida, melhores salários, vinho bom todo dia, os carros param pra você atravessar, yada,yada,yada...Obviamente que se não existissem tais compensações ninguém seria idiota o suficiente de deixar pra trás família, amigos, cultura, o boteco do bairro e os gatos de estimação pra se tocar pro outro lado do oceano – a não ser que você seja um foragido da policia, o que não é o meu caso. Mas o tal processo que é o aborrecimento. O Canadá quer ter certeza que você é artigo de primeira linha e que vai ter vantagens de te aceitar, e você tem fazer o diabo pra provar isso. Como casei por aqui, é pior ainda - provar que o casório é de verdade e não comprado por uma família de esfomeados que vendeu a filha que vai buscá-los depois pra viver de pensão do governo pro resto da vida. É uma catramina absurda de documentos exigidos pelo governo, fotos pra provar que já se conheciam, tudo que é tipo de certidão que você possui e mais umas que você não tem e tem que ir atrás. É claro que tem ficar enchendo o saco da família no Brasil pra ficar correndo atrás de documentos pra você. Ai, vai preencher os formulários exigidos, E SÃO MUITOS! Com números e letras, IMM0017...dai depois que você pensa que preencheu tudo lê nas letras miúdas que ainda tem o anexo do IMM0008... Pensa que vai fazer tudo em uma semana? Impossível! É de acabar com a paciência de qualquer mortal. É como uma gincana, uma prova de obstáculos, eles querem testar o teu fôlego até o final, e pra fazer tudo isso, você tem querer MUITO ficar por aqui. Na metade do caminho dá vontade de fazer a mala e mandar tudo pra PQP. Bem, daí você abre uma garrafa de vinho dos bons (isso serve pra acalmar e lembrar que no Brasil você só bebia vinho pintalíngua em embalagem tetrapack de Bento Gonçalves...), recupera-se o fôlego e a motivação etílica e volta-se a papelada... Então você descobre que além de fazer uma devassa completa na sua vida, eles ainda querem um exame da saúde completo, com direito raio X, exame de sangue e de urina!!!!!!!!!!!!!! Quando descobri isso me senti bem esquisita, é como se tivesse que expôr minha privacidade biológica e celular pra esses caras! Que direito tem o governo do Canadá de contar as minhas Hemáceas? Bem, se quero viver por aqui, pelo jeito tenho que dizer direitinho tudo sobre as minhas Hemáceas, glóbulos brancos, vermelhos, plaquetas e tudo mais...Agora, só falta no fim de tudo isso eles me pedirem uma foto de bikini! Mando essa pra eles:
sexta-feira, março 23, 2007
pequena homenagem à Charlotte
Hoje eu disse adeus a uma amiga. Charlotte estava doente, com um tumor na perna e uma artrite crônica que praticamente a impedia de andar. Ela foi dormir e com certeza acordou no céu.
Charlotte tinha uma infinita capacidade de amar.Um amor grandioso, sem julgamentos, sem esperar nada em troca. Quando a conheci, há mais ou menos três anos atrás, fui contagiada pela sua enorme alegria de viver. E ela jamais se interessou pela minha aparência, pela minha condição social ou pelo que eu poderia lhe proporcionar. Charlotte só queria minha companhia e o meu amor. E foi assim que a nossa amizade continuou cada vez mais forte. Às vezes caminhávamos em silêncio, podíamos nos entender muito bem sem dizer nada, apenas com um olhar. São estes momentos felizes que ficam na minha memória, e aqui faço uma pequena homenagem póstuma a essa grande amiga. Quem nunca teve um animal de estimação, não sabe o que é o verdadeiro amor.Os humanos, na sua maioria, são dissimulados e interesseiros enquanto os animais são completamente puros e autênticos em seus sentimentos. Charlotte foi um exemplo de comportamento para qualquer humano: gentil, verdadeira e amorosa. Ai, se todos fossem iguais a você...
Charlotte tinha uma infinita capacidade de amar.Um amor grandioso, sem julgamentos, sem esperar nada em troca. Quando a conheci, há mais ou menos três anos atrás, fui contagiada pela sua enorme alegria de viver. E ela jamais se interessou pela minha aparência, pela minha condição social ou pelo que eu poderia lhe proporcionar. Charlotte só queria minha companhia e o meu amor. E foi assim que a nossa amizade continuou cada vez mais forte. Às vezes caminhávamos em silêncio, podíamos nos entender muito bem sem dizer nada, apenas com um olhar. São estes momentos felizes que ficam na minha memória, e aqui faço uma pequena homenagem póstuma a essa grande amiga. Quem nunca teve um animal de estimação, não sabe o que é o verdadeiro amor.Os humanos, na sua maioria, são dissimulados e interesseiros enquanto os animais são completamente puros e autênticos em seus sentimentos. Charlotte foi um exemplo de comportamento para qualquer humano: gentil, verdadeira e amorosa. Ai, se todos fossem iguais a você...
terça-feira, março 20, 2007
Ron Mueck - impressoes
Estive na semana passada em Ottawa, na National Gallery, ou seja o Museu Nacional do Canadá. Fui porque queria ver a exposição de RON MUECK, artista australiano que trabalha na Inglaterra. Eu já tinha visto o trabalho do cara em imagens no computador. Simplesmente imprescindível ver o trabalho dele ao vivo. Passei duas horas a olhar algumas esculturas. Bem escultura é a denominação, mas na verdade é muito mais que isso.
Quando a gente se depara com os seres que ele cria, é impossível não pensar em questões da humanidade. Fragilidade, medo, duvida, prazer, desconfiança, carinho... sentimentos que fazem parte de todos nós. James Elkins, no livro “O objeto olha de volta” fala que somos atraídos por formas humanas e que procuramos rostos e corpos em tudo, na lua, no queijo, na mancha de tinta. Mas Ron Mueck vai muito mais além.Ela fala da condição humana. Suas figuras nuas, despidas, realmente nos olham de volta.São pessoas, em escalas diferentes da nossa, mas isso não importa. Elas nos tocam porque são extremamente humanas, mesmo em de fibra de vidro, tinta e silicone- o que a gente esquece completamente ao observa-las. É como se estivéssemos ali, expostos e nus como elas. São um verdadeiro questionamento da condição humana. Será que Ron pensou nisso? Não sei, e também não importa. Não importa o que ele pensou quando da sua criação,o que realmente importa é o que cada um de nós sente quando se depara com suas figuras, com pelos, cabelos, cílios e tão reais que parecem quem vão se mover no próximo momento.O que é gente para você? O que são os outros? Como lidar com o outro? A profundidade do trabalho de Ron Mueck entra fundo na carne da gente.
* as imagens abaixo foram gentilmente cedidas pelo Google, obviamnete sem consulta prévia.
Quando a gente se depara com os seres que ele cria, é impossível não pensar em questões da humanidade. Fragilidade, medo, duvida, prazer, desconfiança, carinho... sentimentos que fazem parte de todos nós. James Elkins, no livro “O objeto olha de volta” fala que somos atraídos por formas humanas e que procuramos rostos e corpos em tudo, na lua, no queijo, na mancha de tinta. Mas Ron Mueck vai muito mais além.Ela fala da condição humana. Suas figuras nuas, despidas, realmente nos olham de volta.São pessoas, em escalas diferentes da nossa, mas isso não importa. Elas nos tocam porque são extremamente humanas, mesmo em de fibra de vidro, tinta e silicone- o que a gente esquece completamente ao observa-las. É como se estivéssemos ali, expostos e nus como elas. São um verdadeiro questionamento da condição humana. Será que Ron pensou nisso? Não sei, e também não importa. Não importa o que ele pensou quando da sua criação,o que realmente importa é o que cada um de nós sente quando se depara com suas figuras, com pelos, cabelos, cílios e tão reais que parecem quem vão se mover no próximo momento.O que é gente para você? O que são os outros? Como lidar com o outro? A profundidade do trabalho de Ron Mueck entra fundo na carne da gente.
* as imagens abaixo foram gentilmente cedidas pelo Google, obviamnete sem consulta prévia.
quarta-feira, março 14, 2007
Polvilho Doce em Ottawa
Bem, já fazem quase três meses que estou por aqui e os sentimentos se misturam. Às vezes parece muito mais tempo, às vezes parece que os dias passam incrivelmente rápido e que nunca dá tempo de fazer tudo que tenho que fazer.
Claro que eu tinha milhares de coisas para trazer e não pude colocar na mala a minha erva de chimarrão....
Bem, começou a bater o desespero...os dias se passavam e a minha cuia ali vazia me olhando, aquela bomba desesperançosa - nunca mais tinha visto uma térmica por perto...Enfim, o meu kit gaudério tava virando peça de decoração.
Daí, um anjinho de Porto Alegre que mora por aqui, a Patrícia (valeu Patrícia-grande presença!) me deu uma dica que na Montreal Road, existia um tal mercado Latino, onde vendiam erva de chimarrão.
Bem, no sábado de tarde saímos, eu e o maridão atrás do tal mercado. Quando entramos no carro, ele me perguntou onde ficava e eu respondi – Na Montreal Road! Ele então me diz que a tal avenida é enorme, praticamente atravessa Ottawa...
Bem, saímos os dois doidos a tentar ler tudo que é placa sem achar o tal lugar . Acabamos saindo da cidade, ficamos só nós e os corvos...Voltamos.Paramos em um mercadinho africano, onde vendiam xuxu! Sim, eu nunca tinha visto isso aqui, que no sul é como praga pelos muros. Claro que comprei! Além do mais a Dona nos indicou onde ficava o mercado, logo antes da Ponte.
Bem, eu pensando que era um baita lugar, é igual aquelas vendinhas de bairro! Mas encontrei a tão procurada erva de chimarrão ( é uruguaia, mas não dá nada) e mais! Guaraná, goiabada, suco de caju e até mesmo –PASMEM- polvilho doce pra fazer pão de queijo!!!!Quase tive um troço. Apesar de não ser mineira sou fanática por pão de queijo, fiquei tão feliz que comecei a falar com a vendedora, dizer que era do Brasil...em inglês...só um sorriso e sem resposta... tentei em francês, continuei sem resposta...eu devia ter tentado em espanhol, mas a essa altura eu queria mesmo era tomar meu suco de caju, hehehe!
Bem, nesse precioso momento em que vos escrevo, estou apreciando meu chimarrão acompanhado de maravilhosos e quentinhos paes de queijo.ETA TREM BAO, quero dizer, MAS BAH TCHÊ! Loca de contente!
Claro que eu tinha milhares de coisas para trazer e não pude colocar na mala a minha erva de chimarrão....
Bem, começou a bater o desespero...os dias se passavam e a minha cuia ali vazia me olhando, aquela bomba desesperançosa - nunca mais tinha visto uma térmica por perto...Enfim, o meu kit gaudério tava virando peça de decoração.
Daí, um anjinho de Porto Alegre que mora por aqui, a Patrícia (valeu Patrícia-grande presença!) me deu uma dica que na Montreal Road, existia um tal mercado Latino, onde vendiam erva de chimarrão.
Bem, no sábado de tarde saímos, eu e o maridão atrás do tal mercado. Quando entramos no carro, ele me perguntou onde ficava e eu respondi – Na Montreal Road! Ele então me diz que a tal avenida é enorme, praticamente atravessa Ottawa...
Bem, saímos os dois doidos a tentar ler tudo que é placa sem achar o tal lugar . Acabamos saindo da cidade, ficamos só nós e os corvos...Voltamos.Paramos em um mercadinho africano, onde vendiam xuxu! Sim, eu nunca tinha visto isso aqui, que no sul é como praga pelos muros. Claro que comprei! Além do mais a Dona nos indicou onde ficava o mercado, logo antes da Ponte.
Bem, eu pensando que era um baita lugar, é igual aquelas vendinhas de bairro! Mas encontrei a tão procurada erva de chimarrão ( é uruguaia, mas não dá nada) e mais! Guaraná, goiabada, suco de caju e até mesmo –PASMEM- polvilho doce pra fazer pão de queijo!!!!Quase tive um troço. Apesar de não ser mineira sou fanática por pão de queijo, fiquei tão feliz que comecei a falar com a vendedora, dizer que era do Brasil...em inglês...só um sorriso e sem resposta... tentei em francês, continuei sem resposta...eu devia ter tentado em espanhol, mas a essa altura eu queria mesmo era tomar meu suco de caju, hehehe!
Bem, nesse precioso momento em que vos escrevo, estou apreciando meu chimarrão acompanhado de maravilhosos e quentinhos paes de queijo.ETA TREM BAO, quero dizer, MAS BAH TCHÊ! Loca de contente!
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Leão do Norte
Depois de sempre me identifiquei muito mais como gaúcha do que como realmente Brasileira. A cultura do Sul é tão forte, e a minha falta de contato com a cultura do Norte e Nordeste tão grande ( fora alguns pedaços de musica e literatura aqui e ali), que o tamanho continental do Brasil se faz imperativo e a gente acaba ficando bairrista.
Mas a perspectiva de coisas muda muito quando trocamos de país, e de repente um sentimento de “brasilidade” se faz mais presente do que nunca...Já me aconteceu antes, passei seis meses longe da nossa terra tupiniquim - e tinha desejos de pão de queijo, pastel, farofa – sem falar na música brasileira, que começa a invadir a vida da gente “como uma onda”.
Bem, ontem eu estava pintando as paredes da minha nova casa, no meu “novo” pais e ouvindo Lenine...Meu marido ocupado destruindo o que restava do antigo teto da sala, e perguntei se ele gostava da música, ele respondeu que sim, gostava da batida. Mas, todas as referências que ele faz – Mestre Vitalino, ciranda, frevo, João Cabral, mamulengo, maracatu, Ariano Suassuna, sem falar em Nova Jerusalém! Todas essas referências em comum - minhas, do Lenine e de qualquer Brasileiro do Oiapoque ao Chuí, mas que levariam dias pra explicar ao meu maridão Quebequense, me fazem muito mais brasileira do que gaúcha. Acho que finalmente entendi.
...e aqui vai a letra pra vocês...
Leão do norte
(Lenine e Paulo César Pinheiro)
Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do UnaVindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E eu sou mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardos
Banda de Pifo no meio do Carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco...
Mas a perspectiva de coisas muda muito quando trocamos de país, e de repente um sentimento de “brasilidade” se faz mais presente do que nunca...Já me aconteceu antes, passei seis meses longe da nossa terra tupiniquim - e tinha desejos de pão de queijo, pastel, farofa – sem falar na música brasileira, que começa a invadir a vida da gente “como uma onda”.
Bem, ontem eu estava pintando as paredes da minha nova casa, no meu “novo” pais e ouvindo Lenine...Meu marido ocupado destruindo o que restava do antigo teto da sala, e perguntei se ele gostava da música, ele respondeu que sim, gostava da batida. Mas, todas as referências que ele faz – Mestre Vitalino, ciranda, frevo, João Cabral, mamulengo, maracatu, Ariano Suassuna, sem falar em Nova Jerusalém! Todas essas referências em comum - minhas, do Lenine e de qualquer Brasileiro do Oiapoque ao Chuí, mas que levariam dias pra explicar ao meu maridão Quebequense, me fazem muito mais brasileira do que gaúcha. Acho que finalmente entendi.
...e aqui vai a letra pra vocês...
Leão do norte
(Lenine e Paulo César Pinheiro)
Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do Boi Bumbá
Sou o boneco do Mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da orquestra armorial
Sou Capibaribe
Num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do UnaVindo no baque solto de Maracatu
Eu sou um alto de Ariano Suassuna
No meio da Feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da lira
Pra nova Jerusalém
Sou Luis Gonzaga
E eu sou mangue também
Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardos
Banda de Pifo no meio do Carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o Carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O homem da meia-noite puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco...
sábado, fevereiro 24, 2007
Errata
Mil perdoes a amiga Daviana que é PERNAMBUCANA com muito orgulho, sim senhor! Além disso , ela me explicou que quem mandou a o texto abaixo foi o nosso amigo André!
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
O frio é Relativo
Beijos pra Cearense Daviana (saudades doceee) que me enviou essa. Nao sei o autor, mas achei muito boa!!!! Como gaucha, concordo totalmente!
VARIAÇÃO CLIMÁTICA NO BRASIL
35ºC
Mato-grossenses vão ao trabalho de terno sem suar.
Cariocas vão a praia e surfam normalmente.
Mineiros usam roupas leves e comem um queijo minas.
A Gauchada não ousa entrar em nenhum ambiente sem ar condicionado
25ºC
Mato-grossenses desligam o ar condicionado Cariocas vão à praia mas não "ousam" molhar os pés Mineiros comem um feijão tropeiro e tomam garapa.
A Gauchada limpa o jardim sem camisa
20ºC
Mato-grossenses ligam o ar quente do carro e tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas vestem um moletom e vão pro calçadão.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
A Gauchada branquérrima toma sol de bermuda e sem camiseta, na praça
15ºC
Os carros dos mato-grossenses não ligam mais por causa do frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo e beber vinho gaúcho.
Mineiros continuam bebendo pinga mais perto do fogão a lenha.
A Gauchada dirige com os vidros abaixados para curtir a brisa do veranico.
10ºC
Decretado estado de calamidade pública em Mato Grosso, dezenas morrem de frio.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas e não saem mais de casa.
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão pro pão de queijo.
A Gauchada bota uma camisa xadrez de manga comprida, tecido leve que é pra não suar
5ºC
Mato Grosso entra num clima de armagedon, sente-se como frango congelado no freezer.
César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno e pensa em construir pista de esqui.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão, sentados em cima do fogão a lenha.
A Gauchada põe "a japona" e fecha as janelas de casa.
0ºC
Começa uma nova era Glacial em Mato Grosso.
No Rio, César Maia veste 4 casacos e 2 milhões de cariocas se reúnem em Copacabana no "Ice in Rio".
Mineiros entram em coma alcoólico e fedem a bife queimado em cima do fogão à lenha.
A Gauchada faz o último churrasco no meio do mato, antes que comece a esfriar, a preocupação é de não "pegar aragem"
-5ºC
Mato-grossenses, Mineiros e Cariocas viram comida congelada.
A Gauchada começa a dizer: "Bahh tchê, que ventinho enjoado... o minuano tá cortando!!! Já tô cos beiço cortado!!! Se gear no barro vai chover feio amanhã!!! Mas esse friozinho tá bom mesmo pra ficar debaixo dos cobertor!!!
-273,15ºC (zero absoluto)
Cessa todo o movimento molecular
O inferno congela.
A Gauchada começa a dizer "Mas baaahh o inverno chegou forte tchê. Vamos se 'agasalhar' que tá de renguear cusco!!! Mulhé, cadê meus cuecão??"
VARIAÇÃO CLIMÁTICA NO BRASIL
35ºC
Mato-grossenses vão ao trabalho de terno sem suar.
Cariocas vão a praia e surfam normalmente.
Mineiros usam roupas leves e comem um queijo minas.
A Gauchada não ousa entrar em nenhum ambiente sem ar condicionado
25ºC
Mato-grossenses desligam o ar condicionado Cariocas vão à praia mas não "ousam" molhar os pés Mineiros comem um feijão tropeiro e tomam garapa.
A Gauchada limpa o jardim sem camisa
20ºC
Mato-grossenses ligam o ar quente do carro e tremem incontrolavelmente de frio.
Cariocas vestem um moletom e vão pro calçadão.
Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.
A Gauchada branquérrima toma sol de bermuda e sem camiseta, na praça
15ºC
Os carros dos mato-grossenses não ligam mais por causa do frio.
Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo e beber vinho gaúcho.
Mineiros continuam bebendo pinga mais perto do fogão a lenha.
A Gauchada dirige com os vidros abaixados para curtir a brisa do veranico.
10ºC
Decretado estado de calamidade pública em Mato Grosso, dezenas morrem de frio.
Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas e não saem mais de casa.
Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão pro pão de queijo.
A Gauchada bota uma camisa xadrez de manga comprida, tecido leve que é pra não suar
5ºC
Mato Grosso entra num clima de armagedon, sente-se como frango congelado no freezer.
César Maia lança a candidatura do Rio para as olimpíadas de inverno e pensa em construir pista de esqui.
Mineiros continuam bebendo pinga e quentão, sentados em cima do fogão a lenha.
A Gauchada põe "a japona" e fecha as janelas de casa.
0ºC
Começa uma nova era Glacial em Mato Grosso.
No Rio, César Maia veste 4 casacos e 2 milhões de cariocas se reúnem em Copacabana no "Ice in Rio".
Mineiros entram em coma alcoólico e fedem a bife queimado em cima do fogão à lenha.
A Gauchada faz o último churrasco no meio do mato, antes que comece a esfriar, a preocupação é de não "pegar aragem"
-5ºC
Mato-grossenses, Mineiros e Cariocas viram comida congelada.
A Gauchada começa a dizer: "Bahh tchê, que ventinho enjoado... o minuano tá cortando!!! Já tô cos beiço cortado!!! Se gear no barro vai chover feio amanhã!!! Mas esse friozinho tá bom mesmo pra ficar debaixo dos cobertor!!!
-273,15ºC (zero absoluto)
Cessa todo o movimento molecular
O inferno congela.
A Gauchada começa a dizer "Mas baaahh o inverno chegou forte tchê. Vamos se 'agasalhar' que tá de renguear cusco!!! Mulhé, cadê meus cuecão??"
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
A vida numa gelada - parte III
Outro dia, assistindo TV, vejo mais um desses anuncios de creme - umectante! Vai deixar a sua pele macia e hidratada...todo aquele bla bla bla de sempre. O diferente é o que o nome do tal do creme era SARNA !!!!!! Passe SARNA na sua pele e ela ficara linda! Da pra acreditar num troço desses?
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
A vida numa gelada - parte I
Passadas as devidas comemorações do casório, a vida retorna gradativamente ao normal. Bem, normal, mas nem tanto! Considerando a mudança do paralelo sul 30º para o paralelo norte 45º, o que era comum deixa de ser. Nada de caminhadas noturnas até o boteco do bairro, nada de comprar pão fresquinho na padaria de camiseta e tênis... A temperatura abaixo dos -20Cº da ultima semana e as distancias entre os lugares simplesmente não permitem.
Claro que o mais difícil é estar longe da família e dos amigos, sem sombra de dúvida – mas evidentemente já existia uma preparação psicológica para esta distância, que vinha sendo planejada nos últimos dois anos. Aquelas coisas para as quais a gente não se preparou é que são as difíceis. Por exemplo – outro dia, ouvi de um novo ‘’parente próximo’’ um comentário sobre a cor da minha pele, como sendo ‘chocolate’...Ora, no Brasil, como descendente de terceira geração de uma família italiana, sempre fui considerada branca, o tal caucasiano que aparece nos documentos. Mas aqui, mais importante que a minha real cor da pele, é o meu pais de origem, sou brasileira, então logicamente não posso ser branca! Mesmo que a minha pele diga o contrario...
É meus amiguinhos...rapadura é doce mas não é mole não!!!!!A grande maioria das pessoas aqui no Quebec pensa que no Brasil se fala espanhol, que somos todos afro-descendentes e que todos vivemos em uma imensa favela. Para eles o Brasil inteiro é uma grande Rocinha. E obviamente todos queremos dar o fora de um lugar tão horrível. O interessante é que eu falo as duas línguas deles, mas eles não falam a minha, tenho mais anos de estudo que a maioria deles e sei que o mundo não se restringe a América do Norte. Tenho consciência que o Brasil tem grandes problemas, mas continuo achando um lugar maravilhoso pra se viver, especialmente por causa dos brasileiros, que são muito mais gentis e divertidos que os Canadenses. Com certeza tenho conhecido pessoas muito legais por aqui, e qualquer generalização é um argumento burro - existem pessoas legais e pessoas xaropes em qualquer lugar, em qualquer pais. Mas não concordo com o divulgado nos jornais nas ultimas semanas por aqui, que dizem que o quebequense, na grande maioria, não é racista. Ainda tenho minhas duvidas...
Claro que o mais difícil é estar longe da família e dos amigos, sem sombra de dúvida – mas evidentemente já existia uma preparação psicológica para esta distância, que vinha sendo planejada nos últimos dois anos. Aquelas coisas para as quais a gente não se preparou é que são as difíceis. Por exemplo – outro dia, ouvi de um novo ‘’parente próximo’’ um comentário sobre a cor da minha pele, como sendo ‘chocolate’...Ora, no Brasil, como descendente de terceira geração de uma família italiana, sempre fui considerada branca, o tal caucasiano que aparece nos documentos. Mas aqui, mais importante que a minha real cor da pele, é o meu pais de origem, sou brasileira, então logicamente não posso ser branca! Mesmo que a minha pele diga o contrario...
É meus amiguinhos...rapadura é doce mas não é mole não!!!!!A grande maioria das pessoas aqui no Quebec pensa que no Brasil se fala espanhol, que somos todos afro-descendentes e que todos vivemos em uma imensa favela. Para eles o Brasil inteiro é uma grande Rocinha. E obviamente todos queremos dar o fora de um lugar tão horrível. O interessante é que eu falo as duas línguas deles, mas eles não falam a minha, tenho mais anos de estudo que a maioria deles e sei que o mundo não se restringe a América do Norte. Tenho consciência que o Brasil tem grandes problemas, mas continuo achando um lugar maravilhoso pra se viver, especialmente por causa dos brasileiros, que são muito mais gentis e divertidos que os Canadenses. Com certeza tenho conhecido pessoas muito legais por aqui, e qualquer generalização é um argumento burro - existem pessoas legais e pessoas xaropes em qualquer lugar, em qualquer pais. Mas não concordo com o divulgado nos jornais nas ultimas semanas por aqui, que dizem que o quebequense, na grande maioria, não é racista. Ainda tenho minhas duvidas...
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